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Data: 23/03/2021 - 08:47 - Por: Olhar Direto

Covid-19 faz número de enterros mais que dobrar e funerárias afirmam que é ilusão achar que há lucro na pandemia

Com o coronavírus, não tem velório, é enterro direto, então o valor também é menor.


A pandemia causada pelo coronavírus já tirou a vida de quase sete mil pessoas somente em Mato Grosso e fez os enterros dobrarem na grande Cuiabá, nos períodos de expressivos números de óbitos. Porém, os danos também têm sido sentidos pelos donos de funerárias, que viram os preços de caixões e insumos disparar, tiveram que contratar mais funcionários e estão vendo seus veículos de transporte se deteriorarem por conta dos produtos químicos utilizados para fazer a desinfecção deles.

Nilson Martins Marques, diretor da Pax Nacional e dono da funerária Dom Bosco, explica ao Olhar Direto que, normalmente, a Pax faz por mês 310 funerais. Em julho do ano passado, durante o pico da primeira onda, chegou a 774, mais que dobrando a quantidade.
 
“É assustador. A doença não é brincadeira. Nesta segunda onda, Cuiabá e Várzea Grande estão com média superior a 21 óbitos/dia só de Covid-19 no mês de março. Podemos dizer que estamos com o triplo de funerais do que era a média diária agora”, explicou o empresário.
 
Paulo Mendonça, dono da funerária Santa Rita, comenta que os próximos dias ainda devem ser difíceis. “Os números mostram que está acontecendo um aumento gradativo no dia a dia. Acredito que na próxima quinzena, poderemos passar por situações delicadas como no ano passado, quando tivemos um pico alto”.
 
Ambos empresários garantiram que não deve haver desabastecimento de urnas funerárias, isso porque as funerárias, que tem poder de compra, conseguiram adquirir vários produtos para deixá-los em estoque.
 
Nilson ainda pontua que é uma ilusão achar que os donos de funerária estão ganhando dinheiro com a pandemia. “Não pensamos em ganho financeiro. É ilusão dizer que estamos ganhando dinheiro, estamos perdendo. Tivemos que aumentar os custos. Nossos funcionários estavam ficando doentes também, eram afastados, foram feitas novas contratações”.
 
“Com o coronavírus, não tem velório, é enterro direto, então o valor também é menor. O que nós estamos preocupados é com resolver o problema da sociedade. É uma luta diária e estamos conseguindo matar um leão por dia. Até agora, não foi necessário qualquer tipo de ajuda do Estado ou município”, explica Nilson.

O empresário ainda comenta que os prejuízos não param por aí: “Os carros das funerárias por dentro estão todos acabados. Isso porque o material de limpeza corrói tudo por dentro, mas não estamos preocupados com isto. Estamos fazendo todos procedimentos corretamente, pensando também nos nossos funcionários. Tanto é que nenhum colaborador de funerária morreu após contrair a Covid-19 em serviço”.
 
Paulo Mendonça fez questão de destacar o fato do prefeito Emanuel Pinheiro (MDB) ter incluído os agentes funerários na lista de prioridades de vacinação. “Algo que tranquilizou os funcionários. Antes havia a insegurança de se contaminar ou de pegar três ou quatro pessoas da equipe e faltar mão de obra”.
 
Vale lembrar que o protocolou do Ministério da Saúde impõe que os agentes funerários peguem o corpo já dentro de um saco plástico no hospital. Depois, o colocam em outro saco e, por fim, dentro da urna funerária, que é lacrada e transportada diretamente para o cemitério. Para a proteção, os funcionários usam macacões e várias luvas, tendo o mínimo contato possível com o cadáver.
 
Outro detalhe é que o número de cremações praticamente não se alterou com a pandemia. “Não é da cultura do mato-grossense. Apesar da Organização Mundial da Saúde (OMS) ter, em um primeiro momento, orientado que os corpos fossem cremados, aqui isso não aconteceu. A maioria optou pelo tradicional”, disse Nilson.

Preço dobrado

O número desenfreado de mortes causadas pela Covid-19, principalmente nesta segunda onda, fez o preço das urnas funerárias praticamente dobrar. As concessionárias de Cuiabá e Várzea Grande explicam que estão preparadas para atender a população neste momento tão doloroso, e possuem um bom estoque, já que estavam sendo avisadas de uma possibilidade de novo aumento de casos desde dezembro. A principal dificuldade tem sido achar insumos (luvas, materiais de EPIs, máscaras, etc) que também tiveram aumento e sumiram das prateleiras. Além disto, descartam a utilização de contêineres para guardar corpos.

A Associação Brasileira de Empresas e Diretores do Setor Funerário (Abredif) fez, em março do ano passado, uma reunião com os fabricantes e fornecedores de insumos, já prevendo os estragos que a pandemia faria no país. Naquele momento, foi feito uma estimativa em cima de dados de outros países, que já estavam passando pelo pico da Covid-19.

Segundo Paulo Mendonça, este ano os preços subiram quase 120%. “As urnas funerárias praticamente dobraram de valor. Mais do que isso, os insumos também, como luvas, materiais de EPIs, macacão, óculos. Tem produtos pequenos que chegaram a 160% de acréscimo. Além disto, a disponibilidade também é complicada. Você não acha mais em qualquer lugar, tem que encomendar e demora para chegar”.
 
Nilson fez questão de ressaltar que a população pode ficar tranquila, porque todas as funerárias estão preparadas, caso o pior aconteça. “A única situação, que seria inimaginável neste momento, é se morrerem 50 do dia para a noite e na manhã seguinte morrerem mais 20. Como não pode enterrar à noite, acumularia tudo para o mesmo dia, seria muito complicado. Mas isto não aconteceu até hoje e esperamos que não chegue a isto também. O que existe é um atraso pontual de meia hora, uma hora, por conta da papelada que as vezes sai toda junta e coincidem os enterros”.


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