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Data: 07/03/2021 - 14:21 - Por: MidiaNews

"Álcool e privação do sono podem desencadear sonambulismo"


Durante uma crise de sonambulismo, a fisioterapeuta cuiabana Talyssa Oliveira Taques, de 27 anos, caiu do terceiro andar de um hotel, no Rio de Janeiro, em 5 de fevereiro. O acidente, que poderia ter terminado de maneira trágica, chamou atenção para os riscos do sonambulismo.

 

Talyssa fraturou uma vértebra e rompeu ligamentos. De acordo com a família, a rotina intensa de plantões no Hospital São Mateus, na Capital, onde ela atua na linha de frente contra a Covid-19, pode ter sido gatilho para a crise de sonambulismo. 

 

Em entrevista ao MidiaNews, o pneumologista e especialista na medicina do sono, Lucas Bello, explicou que fatores como privação de sono e stress realmente podem ocasionar em episódios de sonambulismo. 

 

"O que tem que ser feito, e o que valeria para todos, é evitar a privação de sono, evitar ingerir bebida alcoólica antes de dormir, tratar problemas de ronco e apnéia do sono, ver se algum medicamento que está tomando pode interferir", disse. 
 

Leia os principais trechos da entrevista: 

 

MidiaNews - Há alguns dias uma cuiabana caiu do terceiro andar de um prédio, no Rio de Janeiro, durante uma crise de sonambulismo. Como funciona esse distúrbio do sono?

 

Lucas Bello - Geralmente, ele acontece durante a fase de sono profundo. Normalmente, esse estágio se dá na primeira metade da noite. O sonambulismo se caracteriza pela execução de alguns movimentos, tarefas ou mesmo da pessoa caminhar enquanto dorme. Isso é algo que devemos lembrar sempre, a pessoa está dormindo, ela não tem consciência de nada. 

 

Durante uma crise de sonambulismo a pessoa sai da cama, pode andar pela casa, e temos casos em que pegam carros para dirigir. No outro dia não lembram do que aconteceu. Durante essa fase ela pode até estar com os olhos meio entreabertos e falar algo, mas ela não está acordada. 

 

MidiaNews - É realmente perigoso acordar alguém em meio a uma crise de sonambulismo?

 

Lucas Bello - Os leigos falam que não se pode acordar uma pessoa sonâmbula. Não é que não pode, é que, se por acaso ela for acordada, ela pode acordar em um estado confusional. Ela pode se debater ou se tornar agressiva. O que tem que ser feito é, com cuidado, levar a pessoa para a cama. 

 

MidiaNews - Como deve proceder uma família quando há uma pessoa com sonambulismo em casa? Quais medidas de segurança são indicadas?

 

Lucas Bello - Uma das coisas que precisa ser feita é a tela de proteção nas janelas. Tirar todos os objetos cortantes e perfurantes do alcance da pessoa, porque ela pode se machucar ou machucar outros, já que não tem consciência do que está fazendo. Ela está dormindo. Outra medida é não deixar a chave na porta, porque ela pode ir para rua. O mesmo com as chaves dos carros. 

 

MidiaNews - O sonambulismo é mais comum em crianças ou adultos? Quando se manifestam os primeiros sinais?

 

Lucas Bello - Quando já se tem um histórico de sonambulismo na família é mais provável que as crianças tenham, porque é mais comum do que na fase adulta. Geralmente até os 12 anos ou 13 anos, é quando as crises podem aparecer.

 

Não existe um perfil, mas normalmente essas crises de sonambulismo costumam acontecer na infância e, ao longo da vida, vão ficando mais espaçadas. A maioria das pessoas vai ficar livre. 

 

Não tem uma estatística bem exata, mas calcula-se que cerca de 5% das crianças e 1,5% dos adultos sejam sonâmbulos. Se já há um histórico, é um alerta para tomar cuidado. Ficar atento para não deixar a criança estressada, para que ela tenha um sono de qualidade, são coisas que podem minimizar as crises. 

 

MidiaNews - Quais situações podem ser gatilhos para uma crise de sonambulismo?

 

Lucas Bello - Alguns remédios, se a pessoa está dormindo pouco no dia a dia, adultos que tenham ingerido bebida alcoólica, apneia do sono, pessoas que têm aqueles movimentos nas pernas quando deitam na cama e estresse são alguns fatores que podem desencadear. É raro, mas às vezes algumas doenças e lesões no cérebro. Como qualquer distúrbio de sono precisa de um diagnóstico, acompanhamento e tomar algumas precauções. 

 

MidiaNews - Como funciona o tratamento do sonambulismo?

 

Lucas Bello: Como as causas são múltiplas, cada caso é um caso. Mas o que tem que ser feito, e o que valeria para todos, é evitar a privação de sono, evitar ingerir bebida alcoólica antes de dormir, tratar problemas de ronco e apnéia do sono, ver se algum medicamento que está tomando pode interferir… O tratamento é vai de cada pessoa. 

 

Existe um exame chamado polissonografia, onde o paciente passa uma noite dormindo na clínica do sono. Temos um sistema de monitoramento, uma câmera que filma no escuro, microfone e sensores que são colocados no corpo da pessoa. Então conseguimos identificar tudo que acontece com ela durante o período da noite. Isso pode ajudar no problema. 

 

MidiaNews - Em que casos é recomendado fazer uma polissonografia?

 

Lucas Bello - Em praticamente todos os casos. Serve para avaliar o sono da pessoa e também para ver se não tem outro distúrbio de sono que está coexistindo, se ela tem movimentos anormais de pernas ao longo da noite, problemas de ronco e apnéia que podem predispor o aparecimento de sonambulismo. É um check up, que avalia tudo que está acontecendo durante o sono. 

 

MidiaNews - O senhor atua em uma clínica de sono. Que paciente costuma procurar este tipo de tratamento?

 

Lucas Bello - De maneira geral, atendemos mais problemas de ronco, apnéia do sono, onde a pessoa tem dificuldade para respirar quando está dormindo, e insônia, pessoas que não conseguem adormecer, que têm sono muito leve ou que acordam muito no meio da noite. Recebemos também pacientes que têm problemas de sonolência excessiva. Esses são os mais frequentes, mas atendemos de tudo. 
 

MidiaNews - O ronco pode provocar danos à saúde?

 

Lucas Bello - Quando a pessoa ronca, ela está tendo dificuldade para respirar, o ar passa com dificuldade, por isso faz barulho. Isso pode comprometer a respiração, então ela não está respirando direito e, eventualmente, ela para de respirar. A apnéia do sono é uma parada respiratória, faz com que a pessoa não receba oxigênio. 

 

Então, tem uma série de consequências para a saúde, porque a pessoa que tem apnéia fica acordando muitas vezes no meio da noite para respirar, isso traz problemas cardiovasculares, metabólicos e cognitivos. 

 

O organismo tem alguns sensores que identificam quando a respiração está interrompida e ele percebe que vai faltar oxigênio, acordando a pessoa. Isso pode causar aceleração nos batimentos do coração, faz a pressão subir, provoca risco de infarto e até derrame. 

 

MidiaNews - Existe tratamento com medicamentos?

 

Lucas Bello - Remédio quase não se usa para tratamento de ronco, geralmente são algumas orientações gerais. Em alguns casos tem um aparelho que mandamos confeccionar em dentistas para as pessoas colocarem antes de dormir, se ela tem algum problema no nariz a gente trata, se for criança com amígdala grande tem que retirar. Em casos mais graves a pessoa tem que usar um aparelho para dormir, chamado CPAP, ele empurra o ar para não deixar a garganta fechar. Cada caso tem um tipo de tratamento. 

 

MidiaNews: Em que casos é recomendado o uso de CPAP?

 

Lucas Bello: Ele é indicado em todos os casos de apnéia grave e moderada onde existem comorbidades, por exemplo, pressão alta e diabetes. 

 

MidiaNews: E o terror noturno? É uma parassonia comum?

 

Lucas Bello: Sim, é mais comum em crianças. Está dormindo, começa a gritar e a se movimentar. Pode acontecer em adultos sem histórico também.


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